Comunicação online: a teoria, a prática, eu
À medida que o tempo passa, o nosso processo de aprendizagem continua a executar a sua função e nunca termina. (Não vejam esta primeira frase como uma metáfora informática, por favor.) Evidentemente, isto aplica-se somente aos aspectos da nossa vida com os quais permanecemos em contacto à medida que o tempo passa. Posso dar um exemplo sintomático disto mesmo: tendo sido forçado, nos últimos tempos, a quebrar o ritmo de escrita/publicação de posts, sinto-me agora um pouco destreinado, e as palavras não fluem tão bem como seria suposto.
Não obstante, com o regresso ao activo, sei que não demorará muito até que as coisas entrem nos eixos. O problema maior reside no ponto de partida para um post. Este blogue nasceu já após a minha conversão a esse fenómeno — sim, vou voltar a falar do dito cujo — que é o Twitter, e desde cedo proclamei que não só os tweets não chegaram para substituir os posts, como até se consegue facilmente uma interessante conjugação das duas ferramentas, que se complementam mutuamente. Pelo menos, é assim no meu caso. Eu tenho noção de que sinto permanentemente a necessidade de partilhar ideias, opiniões e outros dejectos criativos com o mundo — é a minha maneira de ser. Para ser franco, não sei se se tratará de uma causa ou de uma consequência da minha rendição aos blogues, dada há quatro anos, mas, actualmente, ter um espaço como o Skyzophrenia serve, em primeira instância, como forma de saciar esta minha necessidade. Tendo em conta tudo isto, onde é que entra o Twitter na história? Na verdade, o Twitter surge com propósitos bastante semelhantes aos do blogue, sendo que a distinção entre os assuntos cujo percurso culmina no blogue e aqueles em que tal acontece no Twitter deveria sobrelevar-se naturalmente. Porém, com o tempo (ou, analisando por outro prisma, com a falta dele), o comodismo de escrever apenas 140 caracteres sobrepõe-se com frequência à clarividência que permite destrinçar a relevância de cada assunto e o potencial do mesmo no que diz respeito à sua exploração.
O Twitter não é, no entanto, a única fonte deste problema. Se repararem, desde que aderi ao Blip.fm (onde suspendi actividades temporariamente), houve uma redução substancial da quantidade de posts do Skyzophrenia que se resumem a um vídeo musical. Não foi algo planeado; simplesmente, o meu instinto pontual de partilhar uma canção passou a ter à sua disposição um meio dedicado para se libertar. Concedo que, em alguns casos, até seria preferível que alguns hipotéticos posts seguissem efectivamente esse rumo, mas, como é sabido, nem sempre se revela trivial conciliar a teoria com a prática.
Eu apercebi-me de tudo isto há uns tempos e, desde então, tenho tentado estar ainda mais atento a todos os pormenores. Um caso concreto deu-se precisamente esta semana: a história da caixa de nuggets com instruções contraditórias teria resultado, automaticamente, num exercício cómico no Twitter, não fosse o facto de eu ter sido incapaz de condensar o essencial da mesma num único tweet. Perante tal berbicacho, ocorreu-me transformá-la num post ligeiro, em vez de dividir o mal por duas tiradas de 140 caracteres cada. Refira-se ainda que foram situações idênticas que deram origem aos posts sobre covers dos Alphaville e sobre a intensidade com que algumas operadores de telemarketing vivem o seu emprego. Alguns mais conseguidos do que outros, outros com mais rodeios do que alguns, são todos posts tão válidos como qualquer um, a meu ver. E, afinal, as minhas aventuras na blogosfera tiveram início com textos humorísticos; por que razão é que, agora, na minha mente, as piadas se convertem imediata e unicamente em tweets?
Outro aspecto que tenho vindo a lutar por melhorar é a dissertação sobre assuntos da actualidade. Não é por saber que, sensatamente, ninguém me atribui credibilidade suficiente para assumir que eu possa analisar um assunto sério de forma séria que eu não o faço mais vezes. A verdade é que, por ter tão pouca prática nessa área, ainda não me sinto suficientemente confortável para o fazer com maior naturalidade e frequência. Por outro lado, é raríssima a vez em que eu consigo ter tempo para escrever um texto na altura em que a sua essência me assola o imaginário — e a actualidade tem esse terrível problema que é rapidamente deixar de o ser.
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