Quarta-feira, 13 de Maio de 2009 • 14:16

Enterro da Gata ’09: sonoridades quentes em noite seca


Apesar de eu já não lhes pôr a vista em cima há quase três anos, curiosamente desde a edição do Rock in Rio-Lisboa em que actuaram no mesmo dia em que os Da Weasel mostraram aos Red Hot Chili Peppers como se dá um concerto a sério, os Orishas são, actualmente, uma das mais recorrentes coqueluches dos palcos nacionais. Eles têm qualidade, sim, bem como uma boa onda incrível — mas deixem de os usar para encher buracos em cartazes de festivais, senhores promotores. É que, depois, eles vêm a uma semana académica, e o pessoal pensa «outra vez?». De facto, ontem foi «outra vez», porém, em minha opinião, valeu completamente a pena. O público mostrou-se devoto do trio cubano e, ainda que não tenha constituído uma enchente tão grande quanto a que se registou para os Guano Apes (não faço ideia se sim ou não), revelou-se o mais consistente, não arredando pé no intervalo entre o fim do concerto e o início do que se seguiria.

Orishas @ Enterro da Gata (2009.05.12)

E o que se seguiria seriam os Da Weasel, grupo já mais do que consagrado e, sublinhe-se, infinitamente mais rock do que muitos que se afirmam como tal. Infelizmente, foram vítimas de duas falhas totais do sistema de som externo ao palco que, na primeira metade do concerto, durante uma incursão ao passado mais distante da sua discografia, os deixaram «a fazer figuras de otários», nas palavras do próprio Pac. Não obstante, nem a pequena pausa que este infortúnio implicou, para que o mesmo não voltasse a suceder durante o resto do concerto, fez com que a energia e a dedicação da doninha e do público esmorecessem. O que se viu ontem — apesar de, lamentavelmente, se ter perdido novamente a oportunidade de recriar a Sigue, Sigue! ao vivo — foi uma actuação imparável que percorreu o vastíssimo reportório dos Da Weasel, do qual se toma plena consciência quando, quase uma hora e meia de concerto depois, a banda sai do palco ao som de Outro Nível e se fica com a sensação de que ainda não se ouviu nada. É inevitável que, com o tempo, algumas canções vão desaparecendo do alinhamento em virtude da divulgação dos novos temas, mas foi com agrado que ontem constatei que, estando há mais de dois anos a promover o mesmo álbum (a última vez que eu os vira fora, precisamente, no Enterro da Gata de 2007, pouco tempo após o lançamento de Amor, Escárnio e Maldizer), o colectivo da Margem Sul efectuou algumas mudanças significativas a esse nível, incluindo, por exemplo, Amor (É Liberdade), Pedaço de Arte e Adivinha Quem Voltou, três canções da década passada que eu nunca tivera a oportunidade de degustar ao vivo. Além disso, louve-se o retorno da clássica God Bless Johnny (salvo erro, desde 2005, eles não a tocaram nos concertos em que eu marquei presença), obviamente no encore, depois de uma nova versão da já incontornável Bomboca (Morde a Bala) que teve início num registo mais downtempo, antes de explodir no orgasmo sonoro habitual. Ao contrário do que se pudesse pensar, a coisa não terminaria assim, tendo ficado o encerramento definitivo da quarta noite de concertos do Enterro da Gata '09 entregue à poderosa Niggaz. Esta foi servida, a princípio, como uma reprodução fiel do single ao vivo, sendo depois largamente estendida num crescendo de intensidade até aos limites do possível.

Da Weasel @ Enterro da Gata (2009.05.12)

Mas, então, não falta nada neste final? Pois. Adivinhem "quem" é que passou a ter honras de abertura, partindo tudo logo aos primeiros acordes do concerto...

video

Complemento essencial: http://enterrodagata.aaum.pt/

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