Enterro da Gata ’09: o fim do mundo em cuecas
Chuva. Frio. Gente a perder de vista. Carros estacionados em cima de outros ao longo de quilómetros sem fim. E eu com uma directa no lombo. Ontem à noite, redefini o meu conceito de apocalipse graças aos Xutos & Pontapés. Tal como acontecera com os Da Weasel e os Blasted Mechanism, tratou-se do primeiro concerto seu a que assisti desde o Enterro da Gata de 2007, altura em que serviram, em minha opinião e de muitas outras pessoas com quem debati o assunto, um concerto bem abaixo das expectativas (consequência directa de um Tim rouco e de um alinhamento demasiado alternativo). Ontem, os comendadores — com o grande Zé Pedro a armar ao sex symbol — encarregaram-se de servir à impressionante multidão que os esperava um potpourri do que todos anseiam sempre ouvir, mas não sem dedicarem grande parte da primeira hora da actuação ao novo álbum, que acabaria por ser dissecado quase na íntegra. Ainda sem o ter escutado de uma ponta à outra, é com agrado que vou constatando que, deste disco homónimo agora lançado, vão saindo coisas com infinita mais qualidade do que Ai Se Ele Cai ou Mundo ao Contrário, temas entretanto consagrados pertencentes ao último registo de originais, já de 2004. Exemplos disso mesmo são o single de apresentação Quem É Quem, que resulta de forma brutal na sua encarnação em palco, ou a magistral Perfeito Vazio. A famosa Sem Eira nem Beira, cantada por Kalu, também não foi esquecida, abrindo o primeiro encore pouco depois de hora e meia de concerto. A verdade é que este não se estenderia por muito mais tempo, embora tenha durado para lá da Minha Casinha, atipicamente arredada da posição final de um alinhamento que, à semelhança do dos Blasted Mechanism, contou com um segundo encore (com Para Sempre, no vídeo em cima, e P'ra Ti Maria, de longe a mais solicitada pelo público).


Para finalizar esta série de posts em que me debrucei somente sobre os concertos, deixo uma nota relativa às Monumentais Festas do Enterro da Gata propriamente ditas: muito fraquinhas (refiro-me apenas ao que se passa à noite, no Gatódromo, dado que não participei em serenatas, cortejos e demais acontecimentos de espírito vincadamente académico). É verdade que Braga já vai mostrando a muito boas academias deste país como se constrói um cartaz a roçar o impecável, assim como é verdade que o novo recinto, embora mal localizado, possui uma topologia e uma paisagem assaz adequadas; o problema é que não passa disso. Estou inclusive em crer que só não entrei em depressão, enquanto lá, graças a um aspecto que não posso deixar de sublevar agora que, correndo tudo bem, me encontro prestes a ir laurear a pevide para outras paragens: as raparigas minhotas são mesmo as mais giras. O que me vale é que, no resto do ano lectivo, mal as vejo, já que o meu curso está longe de ser o seu habitat natural; senão, ai, ai, as saudades para o ano...
Complemento essencial: http://enterrodagata.aaum.pt/
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2 COMENTÁRIOS:
Fiz uma busca rapida pela net pa ver se alguem ainda se lembrava dos Ironic Speech e encontrei o teu comentario.
20 de Julho de 2009 07:19Nao sei quem és mas obrigado por nos lembrares.
Estaremos de volta aos concertos na Vila Praia de Ancora no dia 29 de Julho.
Abraço
Jorge Rasteiro (Casper
Obrigado pelo teu comentário, isso sim. :)
20 de Julho de 2009 11:37Foi precisamente em Vila Praia de Âncora que vos vi ao vivo pela primeira vez. Infelizmente, nessa data não devo andar por lá, dado ser o primeiro dia da edição deste ano do Festival Paredes de Coura. No entanto, desejo-vos um regresso aos palcos em grande e espero ver-vos em breve!
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