Sábado, 16 de Maio de 2009 • 21:43

Enterro da Gata ’09: o fim do mundo em cuecas


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Chuva. Frio. Gente a perder de vista. Carros estacionados em cima de outros ao longo de quilómetros sem fim. E eu com uma directa no lombo. Ontem à noite, redefini o meu conceito de apocalipse graças aos Xutos & Pontapés. Tal como acontecera com os Da Weasel e os Blasted Mechanism, tratou-se do primeiro concerto seu a que assisti desde o Enterro da Gata de 2007, altura em que serviram, em minha opinião e de muitas outras pessoas com quem debati o assunto, um concerto bem abaixo das expectativas (consequência directa de um Tim rouco e de um alinhamento demasiado alternativo). Ontem, os comendadores — com o grande Zé Pedro a armar ao sex symbol — encarregaram-se de servir à impressionante multidão que os esperava um potpourri do que todos anseiam sempre ouvir, mas não sem dedicarem grande parte da primeira hora da actuação ao novo álbum, que acabaria por ser dissecado quase na íntegra. Ainda sem o ter escutado de uma ponta à outra, é com agrado que vou constatando que, deste disco homónimo agora lançado, vão saindo coisas com infinita mais qualidade do que Ai Se Ele Cai ou Mundo ao Contrário, temas entretanto consagrados pertencentes ao último registo de originais, já de 2004. Exemplos disso mesmo são o single de apresentação Quem É Quem, que resulta de forma brutal na sua encarnação em palco, ou a magistral Perfeito Vazio. A famosa Sem Eira nem Beira, cantada por Kalu, também não foi esquecida, abrindo o primeiro encore pouco depois de hora e meia de concerto. A verdade é que este não se estenderia por muito mais tempo, embora tenha durado para lá da Minha Casinha, atipicamente arredada da posição final de um alinhamento que, à semelhança do dos Blasted Mechanism, contou com um segundo encore (com Para Sempre, no vídeo em cima, e P'ra Ti Maria, de longe a mais solicitada pelo público).

Xutos & Pontapés @ Enterro da Gata (2009.05.15)

Dynamite Trust @ Enterro da Gata (2009.05.15)

Antes dos reis e senhores da noite, subiram a palco quatro jovens que ganharam o direito a fazê-lo através da sua vitória no concurso de bandas de garagem UMplugged, organizado todos os anos pela Associação Académica da Universidade do Minho a par do DJ@UM, concurso idêntico para DJs cujo vencedor actuou também ontem, na tenda electrónica. A questão que se coloca é: alguém sabe o nome escolhido pelos quatro jovens para o seu projecto? Possivelmente, saberão eles, os seus amigos, aqueles que já se encontravam em frente ao palco quando o concerto começou e os presentes na final do UMplugged — se é que realmente existe alguém que se enquadre nesta última categoria, dado que não há registo de notícias ou reportagens que o comprove. Bem, e sei eu também, porque, já hoje, encontrei a página do MySpace dos Dynamite Trust e, através da fotografia e das canções lá disponibilizadas, identifiquei-os como sendo o grupo que ontem tocou no Gatódromo. Em relação à sua música, tenho a declarar que gostei do que ouvi e que até encontrei alguns pontos de contacto com os distintos Ironic Speech, embora, ao contrário da banda de Caminha, ainda não tenham conseguido alcançar detalhes sonoros que os diferenciem das outras bandas de garagem que praticam um som semelhante. Gostei igualmente da comunicação com o público, mas fiquei de pé atrás com a canção The Roboparty Theme, composta especialmente para o evento que lhe dá nome: a sério que escreveram um refrão que consiste nos versos «Why don't you build your robot / And enter the competition?» repetidos até à exaustão? Pensem melhor nisso, rapazes. Quanto à AAUM, começar a organizar os concursos mais cedo e a promover devidamente os vencedores talvez não fosse uma ideia péssima.

Para finalizar esta série de posts em que me debrucei somente sobre os concertos, deixo uma nota relativa às Monumentais Festas do Enterro da Gata propriamente ditas: muito fraquinhas (refiro-me apenas ao que se passa à noite, no Gatódromo, dado que não participei em serenatas, cortejos e demais acontecimentos de espírito vincadamente académico). É verdade que Braga já vai mostrando a muito boas academias deste país como se constrói um cartaz a roçar o impecável, assim como é verdade que o novo recinto, embora mal localizado, possui uma topologia e uma paisagem assaz adequadas; o problema é que não passa disso. Estou inclusive em crer que só não entrei em depressão, enquanto lá, graças a um aspecto que não posso deixar de sublevar agora que, correndo tudo bem, me encontro prestes a ir laurear a pevide para outras paragens: as raparigas minhotas são mesmo as mais giras. O que me vale é que, no resto do ano lectivo, mal as vejo, já que o meu curso está longe de ser o seu habitat natural; senão, ai, ai, as saudades para o ano...

Complemento essencial: http://enterrodagata.aaum.pt/

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2 COMENTÁRIOS:

Jorge

Fiz uma busca rapida pela net pa ver se alguem ainda se lembrava dos Ironic Speech e encontrei o teu comentario.

Nao sei quem és mas obrigado por nos lembrares.

Estaremos de volta aos concertos na Vila Praia de Ancora no dia 29 de Julho.

Abraço
Jorge Rasteiro (Casper

20 de Julho de 2009 07:19 Apagar
Fábio Vieira Fernandes

Obrigado pelo teu comentário, isso sim. :)

Foi precisamente em Vila Praia de Âncora que vos vi ao vivo pela primeira vez. Infelizmente, nessa data não devo andar por lá, dado ser o primeiro dia da edição deste ano do Festival Paredes de Coura. No entanto, desejo-vos um regresso aos palcos em grande e espero ver-vos em breve!

20 de Julho de 2009 11:37 Apagar

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