The Bliss

2009 deu nova cara ao meu esverdeado espacinho alternativo, que desde há mais de três anos mostra ao mundo a outra face dos meus escritos. E o melhor é que essa imagem renovada fez-se acompanhar pela promessa de publicação de textos com alguma regularidade. Visitem, leiam, adicionem aos favoritos. Casem-se com ele, se quiserem. Mas convidem-me para padrinho.

www.givemethebliss.com

Casimiro, o Astro

Nos passados meses de Março e Abril, o nosso bom herói regressou para uma segunda leva de contos. Tratou-se de uma minitemporada de apenas seis episódios, mas foi o suficiente para nos permitir matar as saudades que todos tínhamos das desventuras do Astro. Enquanto esperamos que chegue a terceira, façam o obséquio de ler as duas anteriores temporadas.

http://umgajoassim.blogspot.com

Enterro da Gata ’09

O meu "noite-a-noite" na edição deste ano das Monumentais Festas do Enterro da Gata:

Dia 9 de Maio

Dia 10 de Maio

Dia 11 de Maio

Dia 12 de Maio

Dia 14 de Maio

Dia 15 de Maio

Domingo, 4 de Outubro de 2009 • 15:11

Nicola — 25 Anos Linguas (1)
© 2009 Factory Boy

Nicola — 25 Anos Linguas (2)
© 2009 Factory Boy

Feliz aniversário, jovem!

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Segunda-feira, 28 de Setembro de 2009 • 08:51

Lisboa

A minha nova casa.

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Terça-feira, 18 de Agosto de 2009 • 13:03

Raúl Solnado

O falecimento ainda recente de Michael Jackson originou, aqui no Skyzophrenia, o post em jeito de homenagem que então se impunha perante a importância do artista a uma escala global. No entanto, como referi no post em questão, tratava-se de alguém que nunca me marcara a nível pessoal.

O caso de Raúl Solnado é bastante idêntico, mas apresenta uma subtil diferença, pelo que sublinho desde já que esta não-homenagem (uma vez que Solnado era adverso a tal conceito) não surgiu mais cedo apenas por causa do meu afastamento temporário das lides internéticas. Hoje, aqui me encontro para remediar isso mesmo. Como dizia, também Raúl Solnado nunca foi propriamente um ídolo para mim, porventura devido ao significativo desfasamento de gerações. Porém, não só lhe conheço e reconheço o talento e a sobriedade há já muitos anos, como a sua importância global — ou, mais correctamente, nacional — tem um impacto muito mais directo na minha vida do que a de qualquer pop star musical. Porque o Raúl foi o pioneiro de um registo humorístico muito específico, precisamente o registo que mais me fascina e influencia. Porque foi ele o primeiro de uma linhagem de muitos profissionais que fui admirando desde pequeno até aos dias de hoje, desde Herman José e Nicolau Breyner até aos mais contemporâneos.

Durante a semana passada, os vários canais de televisão nacionais fizeram questão de que me reencontrasse incessantemente com álguns clássicos do mestre, ao mesmo tempo que ia conhecendo trabalhos seus com que nunca me deparara. Felizmente, é impossível alguém se cansar de peças como «A Guerra de 1908» ou de personagens como o alemão Fritz. Não me sentindo capaz de fazer jus à pessoa que perdemos no passado dia 8 (sobretudo, depois de ter lido palavras como estas, do Bruno Nogueira), deixo o conselho de perderem umas horas no YouTube a conhecer alguns dos mais míticos sketches e textos de stand-up comedy do humor português e de verem As Divinas Comédias, o fabuloso resumo em quatro episódios dos 50 anos de humor televisivo em Portugal que a RTP transmitiu apressadamente no seguimento da triste notícia da morte de Solnado, mas que, felizmente, disponibilizou na íntegra na secção multimédia do seu site.

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Sexta-feira, 17 de Julho de 2009 • 18:55

"Brüno", Larry Charles

Já não me lembro da última vez que fora ao cinema. Não se trata apenas de uma simples força de expressão — não me lembro mesmo. Fui ontem, para celebrar um simbólico início de férias e para matar saudades. A escolha foi óbvia: Brüno (eu sou um fã incondicional do Sacha Baron Cohen). Brüno é mais uma das suas apuradíssimas personagens — quiçá a mais forte, a nível provocatório —, e o comediante inglês construiu em seu redor uma trama que lhe faz jus, embora, enquanto longa metragem, deixe algo a desejar, ficando inclusivamente alguns pontos atrás do seu anterior Borat: Cultural Learnings of America for Make Benefit Glorious Nation of Kazakhstan. Ainda assim, não lhe faltam momentos deliciosos, hilariantes ou, pura e simplesmente, chocantes — e sim, são três tipos de momentos do filme perfeitamente distinguíveis entre si.

No que diz respeito ao cinema propriamente dito, não faço quaisquer tenções de retomar o hábito que já tive de o frequentar semanalmente (já cheguei a fazê-lo várias vezes por semana!). Adoro a sétima arte, mas, a menos que arranje uma sala que me encha as medidas ou que alguma situação excepcional o justifique, duvido que me voltem a apanhar numa ida espontânea, a solo, a um dos nossos abjectos multiplexes. Quase seis euros por uma sessão? Intervalo? Vinte minutos de publicidade (e apenas um par dos bons, velhos e gostosos trailers)? E porquê publicidade quando o filme já deveria ter começado em vez de aproveitarem o silencioso intervalo para tal? Enfim...

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Sexta-feira, 10 de Julho de 2009 • 10:47

Scott

Parabéns, Scott!

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Sexta-feira, 3 de Julho de 2009 • 13:00

À medida que o tempo passa, o nosso processo de aprendizagem continua a executar a sua função e nunca termina. (Não vejam esta primeira frase como uma metáfora informática, por favor.) Evidentemente, isto aplica-se somente aos aspectos da nossa vida com os quais permanecemos em contacto à medida que o tempo passa. Posso dar um exemplo sintomático disto mesmo: tendo sido forçado, nos últimos tempos, a quebrar o ritmo de escrita/publicação de posts, sinto-me agora um pouco destreinado, e as palavras não fluem tão bem como seria suposto.

Não obstante, com o regresso ao activo, sei que não demorará muito até que as coisas entrem nos eixos. O problema maior reside no ponto de partida para um post. Este blogue nasceu já após a minha conversão a esse fenómeno — sim, vou voltar a falar do dito cujo — que é o Twitter, e desde cedo proclamei que não só os tweets não chegaram para substituir os posts, como até se consegue facilmente uma interessante conjugação das duas ferramentas, que se complementam mutuamente. Pelo menos, é assim no meu caso. Eu tenho noção de que sinto permanentemente a necessidade de partilhar ideias, opiniões e outros dejectos criativos com o mundo — é a minha maneira de ser. Para ser franco, não sei se se tratará de uma causa ou de uma consequência da minha rendição aos blogues, dada há quatro anos, mas, actualmente, ter um espaço como o Skyzophrenia serve, em primeira instância, como forma de saciar esta minha necessidade. Tendo em conta tudo isto, onde é que entra o Twitter na história? Na verdade, o Twitter surge com propósitos bastante semelhantes aos do blogue, sendo que a distinção entre os assuntos cujo percurso culmina no blogue e aqueles em que tal acontece no Twitter deveria sobrelevar-se naturalmente. Porém, com o tempo (ou, analisando por outro prisma, com a falta dele), o comodismo de escrever apenas 140 caracteres sobrepõe-se com frequência à clarividência que permite destrinçar a relevância de cada assunto e o potencial do mesmo no que diz respeito à sua exploração.

O Twitter não é, no entanto, a única fonte deste problema. Se repararem, desde que aderi ao Blip.fm (onde suspendi actividades temporariamente), houve uma redução substancial da quantidade de posts do Skyzophrenia que se resumem a um vídeo musical. Não foi algo planeado; simplesmente, o meu instinto pontual de partilhar uma canção passou a ter à sua disposição um meio dedicado para se libertar. Concedo que, em alguns casos, até seria preferível que alguns hipotéticos posts seguissem efectivamente esse rumo, mas, como é sabido, nem sempre se revela trivial conciliar a teoria com a prática.

Eu apercebi-me de tudo isto há uns tempos e, desde então, tenho tentado estar ainda mais atento a todos os pormenores. Um caso concreto deu-se precisamente esta semana: a história da caixa de nuggets com instruções contraditórias teria resultado, automaticamente, num exercício cómico no Twitter, não fosse o facto de eu ter sido incapaz de condensar o essencial da mesma num único tweet. Perante tal berbicacho, ocorreu-me transformá-la num post ligeiro, em vez de dividir o mal por duas tiradas de 140 caracteres cada. Refira-se ainda que foram situações idênticas que deram origem aos posts sobre covers dos Alphaville e sobre a intensidade com que algumas operadores de telemarketing vivem o seu emprego. Alguns mais conseguidos do que outros, outros com mais rodeios do que alguns, são todos posts tão válidos como qualquer um, a meu ver. E, afinal, as minhas aventuras na blogosfera tiveram início com textos humorísticos; por que razão é que, agora, na minha mente, as piadas se convertem imediata e unicamente em tweets?

Outro aspecto que tenho vindo a lutar por melhorar é a dissertação sobre assuntos da actualidade. Não é por saber que, sensatamente, ninguém me atribui credibilidade suficiente para assumir que eu possa analisar um assunto sério de forma séria que eu não o faço mais vezes. A verdade é que, por ter tão pouca prática nessa área, ainda não me sinto suficientemente confortável para o fazer com maior naturalidade e frequência. Por outro lado, é raríssima a vez em que eu consigo ter tempo para escrever um texto na altura em que a sua essência me assola o imaginário — e a actualidade tem esse terrível problema que é rapidamente deixar de o ser.

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Quinta-feira, 2 de Julho de 2009 • 13:44

Sim, eu sei que o fiz uma vez — na qual prometi não voltar a fazê-lo — e, de certa forma, acabei mesmo por repetir a dose. Como descaramento é coisa que, volta e meia, não me falta, eis-me aqui para uma terceira investida dentro do género.

Têm sido tempos complicados, estes. Ontem, completei, finalmente, um ciclo de três anos da minha vida, cujo último semestre, como não me fartei de apregoar, mostrou-se inflexível no seu objectivo de conduzir qualquer alminha à loucura. No início do mesmo, confessei-me apreensivo, mas os objectivos lá se foram cumprindo, uns com mais sucesso do que outros. No entanto, ainda não há quaisquer certezas acerca da minha aprovação em três das últimas seis unidades curriculares, e a verdade é que, caso seja obrigado a comparecer em algum dos exames de recurso respectivos, arrisco-me a ficar com os meus planos de vida a curto prazo seriamente comprometidos.

Foi ontem, então, que se deu a minha "apresentação final de curso", como gosto de lhe chamar. Apesar disso, ainda não consigo sentir-me verdadeiramente de férias — não só porque ainda tenho notas pendentes, como já referi, mas também porque pretendo fazer os afamados exames de Português e Matemática do 12.º ano (depois de uma aturada investigação, estou em crer que esta triste solução é a melhor hipótese — senão a única — de eu me candidatar novamente ao primeiro ciclo do ensino superior). Além disso, há toda uma miríade de projectos com os quais eu gostaria de avançar, bem como uma vasta panóplia de assuntos para resolver, dado que, sem ser necessária a ajuda da minha preguiça inata, os últimos meses foram pródigos em obrigar-me a procrastinar tudo e mais alguma coisa que não estivesse directamente relacionado com a maldita licenciatura.

Uma vez mais, deixo a promessa: doravante, sempre que me for possível inventar algum tempo para tal, tentarei ir dando novas por aqui, sem esquecer os inúmeros posts que tenho acumulados à espera de serem escritos.

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Terça-feira, 30 de Junho de 2009 • 20:44

Não é fácil, nos dias que correm, uma pessoa dar-se ao luxo de querer fazer uma refeição mais descontraída. No final de um dia como este, que tresandou a férias, optei por confeccionar uns belos nuggets de frango que já há muito se arrastavam pelo congelador. Já o fizera algumas vezes anteriormente, mas tenho quase a certeza que nunca me detera a ler as instruções impressas na embalagem (pelo menos, não na desta marca). Aconteceu por acaso, enquanto desmontava a caixa para a deitar fora, e logo me vi num impasse.

PREPARAÇÃO
Fritar sem descongelar em abundante óleo bem quente. Tiempo [sic] fritura 2-3 minutos.
É aconselhável não fritar recém-tirado do congelador.
Temperatura fritura do óleo alta

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Sexta-feira, 26 de Junho de 2009 • 10:59

Confesso que nunca fui fã de Michael Jackson. Convenhamos: toda a parte relevante da sua carreira deu-se antes de eu ter tido sequer oportunidade de saber o que é música. Sim, concedo que, sobretudo para um melómano como eu, trata-se de uma desculpa muito fraquinha, mas é igualmente verdade que, nos últimos anos, tenho investido algum tempo na exploração da obra de vultos maiores do século passado (os deste já tenho acompanhado relativamente bem); simplesmente, ainda não chegara a vez do Wacko Jacko. Apesar disso, foi com choque que, ontem à noite, recebi a notícia. Citando David Fonseca:

A sensação que fica é algo triste, uma estrela que já foi "bigger than life" desaparecer num momento de declínio tão obscuro. Que o seu passado recente não faça esquecer a genialidade do homem que, em muitos sentidos, revolucionou a indústria musical como poucos conseguiram fazer.

Aproveitando que estou a pilhar o post do David, deixo também uma versão da incontornável e intemporal Billie Jean:

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Quarta-feira, 10 de Junho de 2009 • 23:57

A propósito do meu post sobre o concerto dos Mundo Cão, ocorreu-me que nunca mais comentei por estas paragens a alucinante semana que foi a última de Abril passado. Mesmo no seio de mais uma época preenchida por incontáveis momentos de avaliação (a certo ponto, acabei por me habituar ao ritmo deste último semestre da licenciatura), deparei-me com uma agenda de visitas à loja da Fnac do Braga Parque absolutamente sem precedentes.

Tudo começou na noite de terça-feira, dia 28, a propósito da semifinal do Stand Up TUM com RUM (desafio já referido aqui e que, como prometido, pretendo dissecar num post que foi conscientemente diferido para o Verão). No entanto, interessam para esta prosa os dois dias seguintes, as datas escolhidas para mais uma edição da iniciativa que a cadeia multinacional designa por «Dias Aderente». Basicamente, trata-se de dois dias consecutivos em que há descontos bem apelativos para os possuidores do cartão de pontos da Fnac e em que a agenda cultural das várias lojas apresenta uma programação especial. Com várias aquisições em mente, é claro que resolvi aproveitar esta oportunidade para as fazer e assim poupar uns trocos.

O resultado de três visitas à Fnac

É também claro que, nestas alturas, arranja-se sempre mais uma miríade de negócios tentadores. Depois de lá ter passado as noites de quarta e quinta-feira, bem como a tarde do segundo dia, dizia adeus ao cartão multibanco — que avariou, deixando-me na desconfortável e humilhante situação de não poder pagar os artigos que já depositara na caixa — e dava as boas-vindas a minha casa a tudo o que podem ver na fotografia em cima. Não vou detalhar as minhas compras, mas posso garantir que algumas revelaram-se apostas claramente ganhas e creio até que uma ou outra originarão posts a elas dedicados assim que as explorar devidamente. Acrescente-se ainda que o exposto na fotografia acaba por não ser exaustivo, dado algumas compras terem sido encomendadas na Fnac Online, chegando, por isso, só na semana seguinte. Foi, aliás, graças a essa encomenda de última hora que me vi impedido de assistir aos showcases de Mundo Cão e dos inefáveis Smix Smox Smux, no dia 30, uma vez que não conseguia aceder à Internet no centro comercial para a efectuar. Graças à encomenda, mas também à enchente que se registou no fórum nessa noite e, verdade seja dita, a terem terminado a sua actuação antes da hora a que era suposto começarem.

Cenário bem diferente foi o registado na noite anterior. Com pouca gente a passear na loja e ainda a efectuar as primeiras compras, pude apreciar devidamente outros dois projectos de Braga que por lá passaram. Estilhaços é o cativante resultado da conjugação de spoken word por Adolfo Luxúria Canibal, recitando poemas de sua autoria registados em livro e em disco, com os teclados e os sintetizadores de António Rafael. Os dois elementos dos Mão Morta fazem-se acompanhar ao vivo por Henrique Fernandes, no contrabaixo, o qual se revela uma contribuição preciosa para a atmosfera densa que assenta que nem uma luva nas palavras ásperas de Luxúria Canibal. Já com um atraso significativo, seguiram-se os Monstro Mau, uma promissora e quase familiar banda portuguesa incompreensivelmente desconhecida do grande público que já dei a conhecer aqui no blogue há uns tempos. Apesar do som demasiado alto, demonstraram uma vez mais toda a energia que as suas composições encerram, assim como a boa onda da postura que têm em palco, com a divertida e calorosa Alex Liberalli (ex-Big Fat Mamma) na linha da frente. Venha o novo álbum!

Estilhaços @ Fnac Braga (2009.04.29)

Monstro Mau @ Fnac Braga (2009.04.29)

Já que me encontro com a mão na massa, aproveito ainda para fazer referência ao mais recente showcase que vi no fórum da Fnac do Braga Parque: os Sinal, que, na tarde do chuvoso dia 10 de Maio, reuniram uma surpreendentemente vasta plateia. Apesar de conhecer pessoalmente o baterista Miguel Fernandes e o guitarrista Ricardo Rocha, dois moços impecáveis que também fazem uma perninha nos meus caros In Repair, foi a primeira vez que tive a oportunidade de ver a banda ao vivo, e a verdade é que fiquei com vontade de assistir a um concerto seu (penso que isto já será dizer bastante). Também ainda não tive a oportunidade de ouvir o seu álbum de estreia, homónimo, lançado há poucos meses, mas, dentro do género, até aprecio as canções que conheço melhor — e que muitos já terão ouvido, quer na rádio (rodam bastante na Comercial, tendo chegado a estar bem colocados no programa TNT — Todos no Top, e até já ouvi a E Se Amanhã na Antena 3 um par de vezes), quer em algumas telenovelas da TVI. Que continuem a conquistar sucesso atrás de sucesso!

Sinal @ Fnac Braga (2009.05.10)

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• 20:10

Não me irei alongar neste assunto, mas urgia que eu fizesse referência às agradáveis surpresas que tenho recebido esta semana ao nível de notícias relacionadas com a tecnologia que uso no meu quotidiano. Na passada segunda-feira, deu-se a por mim há muito esperada sessão de abertura da Worldwide Developers Conference 2009, em São Francisco, na qual a Apple apresentou, como vem sendo hábito em todas as edições deste certame, alguns dos seus mais importantes lançamentos. As minhas expectativas para esta sessão eram elevadas, mas posso garantir que, embora a data de saída do Snow Leopard, a próxima actualização do sistema operativo da empresa californiana, tenha sido adiada para Setembro, elas foram larga e inesperadamente superadas. A renovação das gamas de portáteis MacBook (agora só em branco) e MacBook Pro (todos os modelos de alumínio) é deliciosa, e a descida geral de preços não lhe fica atrás, sobretudo tendo em conta que é, em alguns casos, secundada por evoluções significativas no hardware incorporado. Como se não fosse suficiente, junta-se à previamente anunciada actualização do sistema operativo do iPhone — que, tal como o novo Mac OS X, faz salivar qualquer um — uma nova versão do próprio telemóvel, designada iPhone 3G S. Para mais detalhes sobre todas as novidades apresentadas, aconselho este artigo da Macworld, que me deu a conhecer todas os pormenores revelados na sessão em questão através da cobertura em directo feita por Dan Moren, editor associado da publicação. Confirma-se, portanto, que será este Verão que me converterei por fim à febre do iPhone, visto agora somar às suas inegáveis qualidades todas as características de telemóvel que lhe faltavam, e que o MacBook de treze polegadas que já tinha na agenda de aquisições não só me ficará mais barato, como pertencerá à série profissional da Apple. Um mimo.

Já hoje, tomei conhecimento de algo que a Google anunciou no fim de Maio: Google Wave. Vem aí uma revolução nos hábitos de utilização de ferramentas de comunicação na Internet — acreditem que não é só conversa fiada. Se tiverem paciência, vejam o vídeo da sessão de demonstração na Google I/O 2009 até ao fim. Eu ia ver apenas os primeiros minutos, para perceber melhor o que será esta nova ferramenta/protocolo, e acabei por ficar colado, em êxtase, até ao seu termo.

Nunca mais chega o fim do Verão...

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• 18:21

Há sensivelmente uma semana, recebi uma notícia que já esperava há algum tempo: teremos Muse de volta no Outono, tanto em registo discográfico como em concerto num palco nacional. Como é que eu deixei passar tal anúncio sem levantar grandes ondas, tendo em conta o estardalhaço que fiz quando se confirmou que os Nine Inch Nails irão marcar presença no Festival Paredes de Coura (algo que também previra)? A verdade é que nem eu sei bem. Talvez tenha sido porque, no caso do colectivo liderado por Trent Reznor, se tratava mais de um desejo meu, ainda que devidamente sustentado em factos, do que de uma suspeita crível (e o próprio timing possível para cada concerto não se revelava tão urgente no caso do dos Muse). Talvez tenha sido também porque, nessa altura, ao contrário do que sucedeu na semana transacta, não me encontrava a dar início a uma sequência alucinante de três directas em quatro noites, dedicadas a trabalhos académicos, e, portanto, não tinha tanto com que me preocupar. Em última instância, talvez tenha sido porque meio país tratou de fazer a festa por mim, dado a banda de Matthew Bellamy já ter ultrapassado largamente o estatuto de culto restrito em que os Nine Inch Nails ainda se encontram.

É precisamente este o ponto que me deixa mais de pé atrás em relação ao concerto que aí vem. Atenção: eu não sou partidário da mentalidade «se já tem sucesso, deixou de prestar»; muito pelo contrário. Estou plenamente convencido de que The Resistance, o álbum que chegará em Setembro, deixar-me-á novamente rendido perante as sonoridades exploradas pelo trio britânico em mais um conjunto magistral de composições. No entanto, o sucesso tem como consequência o alargamento do público-alvo do concerto, e note-se que também não estou a armar-me em esquisito, com nojo dos esperados magotes de adolescentes histéricos que, há três anos, nem ouviram falar do concerto no Campo Pequeno. Venham eles. Venha toda a gente para ouvir boa música, para assistir a uma performance inesquecível de um dos melhores grupos ao vivo da actualidade e para fazermos todos a festa. Mas onde caberá assim tanta gente? Pois. No Pavilhão Atlântico. Já lá vi muitos bons concertos, é verdade, mas não é menos verdade que já lá vi concertos com um péssimo som, sendo que, em alguns pontos da sala, são por demais evidentes as falhas lastimáveis da sua acústica (e ocorre-me agora a terrível experiência em que se traduziu o concerto dos Tool, poucos dias volvidos após o tal de Muse na mítica praça de touros lisboeta).

Lembro-me bem de, em 2004, após a revelação dos primeiros nomes do cartaz do então reformatado Super Bock Super Rock, entre os quais se incluíam os de Linkin Park e Korn para o primeiro dia do evento, eu pensar que a cereja no topo do bolo seria juntarem Muse àquele conjunto. Imaginem qual não foi o meu espanto, semanas mais tarde, quando tal aconteceu mesmo. A 9 de Junho, lá pude eu ver os rapazinhos que conhecera através de um teledisco que rodava muito na SIC Radical e que mostrava o vocalista, com o cabelo pintado de um vermelho vivo inspirador, a cantar enquanto caía num poço interminável. Entretanto, haviam lançado um outro para uma canção muito calminha ao piano (Feeling Good) e, já com novo álbum (Absolution, de 2004), andavam nas bocas do mundo graças ao hit Time Is Running Out e ao single que lhe sucedeu, a caótica Hysteria. Não conhecendo mais do que isto, fiquei rendido àquela poderosa demonstração de talento e àquele domínio das guitarras e sobretudo do piano alienígena que estava em palco por parte do aniversariante Bellamy. Já em 2006, a 26 de Outubro, dirigi-me novamente à capital, numa viagem demasiado atribulada e que envolveu um sem-fim de meios de transporte para chegar com sucesso e atempadamente ao destino, desta feita propositadamente para os ver. O piano perdera grande parte do destaque que lhe era reservado antes de Black Holes and Revelations, o quarto e mais recente álbum de originais, lançado nesse ano, mas o cenário e o ambiente dos concertos haviam já atingido as dimensões épicas necessárias para estarem minimamente à altura da banda sonora que servem. Pelo que conheço deste trio inglês e pelo que tenho lido, "temo" seriamente que, na digressão que iniciarão este ano, se tornem definitivamente reis e senhores do Universo.

Dediquei alguma reflexão durante estes dias à possibilidade de ir ou não ao concerto de 29 de Novembro. Na segunda-feira, tive acesso privilegiado à pré-venda de ingressos — que foram colocados à venda ontem, no já simbólico dia 9 de Junho — e, num impulso, decidi cometer a loucura de avançar com a compra antes que voltasse a vacilar. Optei pelo segundo balcão, de onde assisti sossegadamente ao grandioso concerto dos Pearl Jam, também em 2006, dado ser mais barato e dado já ter visto os Muse do meio da confusão nas outras duas ocasiões em que tive essa oportunidade. Cheguei a preencher tudo o que tinha a preecher, incluindo o meu registo na bilheteira online blueticket, até que desisti, já no último passo, ao ver acrescido ao preço final uma qualquer infalível comissão. Eu considero exageradas as previsões de que os Muse conseguirão esgotar o Pavilhão Atlântico, mas, mesmo que esteja enganado, não o farão de certeza em tempo recorde. Se bem me conheço, quando me dirigir à Fnac para comprar o primeiro volume do Herman Enciclopédia, lá para o fim do mês, acabarei por adquirir também o meu bilhete. Para ser sincero, nem eu percebo por que motivo não haveria de ir, mesmo sendo no Pavilhão Atlântico e mesmo sendo os preços um bocadinho puxados (ou então eu é que estava habituado a valores geralmente mais baixos, há ainda não muito tempo, uma vez que, infelizmente, trinta a quarenta euros já começa a ser o mais comum neste tipo de eventos). Afinal, e logo para começar, são os Muse, caramba! Uma das minhas bandas favoritas de sempre e gente capaz de uma das mais fabulosas prestações musicais em cima de um palco: um espectáculo que vai para além da música mas que não se sobrepõe a esta, antes a complementa, e que prescinde das sempre escusadas coreografias maquinais. Além disso, o mais certo é eu andar por Lisboa nessa altura, o que significa uma enorme poupança em deslocações, e, mais importante ainda, desde o dia seguinte ao do concerto no Campo Pequeno que ando com vontade de repetir a experiência. Até certo ponto, poderia tê-lo feito há um ano, no Rock in Rio-Lisboa, mas acabei por decidir adiar o reencontro. Terá de ser desta vez, no dia em que se comemorará o quarto aniversário do meu outro blogue, The Bliss.

Complemento essencial: http://ex-skyzophrenia.blogspot.com/2007/02/santssima-trindade.html

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Segunda-feira, 8 de Junho de 2009 • 10:43

Dado que ontem não tive muita disponibilidade para tal, tenho andado hoje a confirmar devidamente o que sucedeu após o encerramento das urnas. Portanto, o PSD ganhou a corrida ao Parlamento Europeu, não é verdade? E, consequentemente, o partido funestamente derrotado foi o PS, dado ser o outro "grande". Certo? Até aqui, eu acompanho e percebo perfeitamente a lógica da análise. É igual no futebol: o terceiro lugar do Benfica é péssimo; o sexto lugar do Leixões é um feito memorável.

Esperem lá... «É igual no futebol»? Eu ousei comparar a política ao futebol? Até parece que as massas associativas dos partidos andam por aí a entoar cânticos de estádio roubados às claques ou assim... Mais um bocado e era ver-me a fazer uma analogia entre PSD/PS e FCP/SLB só porque os sociais-democratas insistem em frisar que os seus rivais de estimação perderam em vez de se vangloriarem pelas suas vitórias. Seria um disparate da minha parte.

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• 10:06

Começou com um artigo do Expresso com direito a referência na capa da edição do fim-de-semana passado, continuou na passada sexta-feira com a indignação de João Miguel Tavares no Governo Sombra e culminou ontem no programa da Antena 3 Em Nome do Ouvinte. Falo da celeuma levantada por algum ser iluminado que se lembrou de protestar contra a ausência da canção Sem Eira nem Beira, pertencente ao mais recente álbum dos Xutos & Pontapés, das ondas do éter. Ora, como disse Rui Pêgo, director de programação da RDP, em declarações à rubrica do Provedor do Ouvinte supracitada, trata-se claramente de uma não-questão ou, se preferirmos, de uma polémica artificial. De facto, a Antena 3 até chegou a passar a canção (ao contrário, pelos vistos, das restantes rádios nacionais), dado que faz parte da sua política promover os novos trabalhos nacionais. Tal como Sem Eira nem Beira, muitos outros temas do álbum homónimo dos nossos dinossauros do rock mais estimados foram apresentados pela estação. Tanto assim foi que, ainda sem ter ouvido o disco, fui capaz de reconhecer vários dos novos temas no concerto dos Xutos no Enterro da Gata (e o mesmo aconteceu, por exemplo, quando ouvi o novo dos Mundo Cão pela primeira vez). Porque é que se queixam de não passar a Sem Eira nem Beira e não se queixam de não passar — aqui vai uma à toa — O Sangue da Cidade? Qual a diferença? O facto de a primeira ter ficado conhecida graças a uma capa do Público e ao sensacionalismo ridículo da TVI? Os singles do novo álbum dos Xutos & Pontapés são, até ao momento, Quem É Quem e Perfeito Vazio, e eu posso garantir que, pelo menos na Antena 3, o primeiro rodou e o segundo continua a rodar com insistência na playlist. Ganhem juízo.

Complemento essencial: http://aeiou.expresso.pt/musica-anti-socrates-dos-xutos-varrida-da-radio=f517786

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• 09:30

Era tudo muito bonito quando os tempos demoravam a mudar. As pessoas podiam, se assim quisessem, habituar-se à mudança das vontades com toda a calma do mundo. Hoje em dia, as coisas apresentam-se bem diferentes, e os tempos mudam como se nada mais tivessem para fazer. «Oh, que tédio... Vamos trocar?», parece que imagino a trovoada a dizer ao céu limpo, enquanto os aguaceiros gritam lá do fundo: «Vá, despachem lá isso! Daqui a dez minutos, é a minha vez!»

Gostava sinceramente de perceber o que anda a passar-se lá em cima, na sala de controlo desta gaita. Talvez tenham posto lá um tipo novo e o gajo ainda esteja a aprender a trabalhar com a maquinaria toda, que não deve ser pouca... Não me surpreenderia nada que assim fosse, tendo em conta a corrida às reformas que, com medo às maluquices do Sócrates, se tem vindo a verificar. Se alguém puder confirmar esta teoria, então aposto que, muito provavelmente, confirmará igualmente a de que S. Pedro terá arrumado definitivamente as botas. Desconfio que nem uma paciência de santo aguenta andar a descontar há tantos anos e agora adiar o merecido descanso só por causa de mais uns trocos de pensão ao fim do mês.

Não obstante, com a vida realmente complicada devem encontrar-se os meteorologistas. Suponho que isto de o tempo estar completamente minado — o que é um facto — não facilite nada o seu sempre rigoroso trabalho. Não tenho estado atento aos boletins, confesso, porém não me admirarei se, um dia destes, eles anunciarem qualquer coisa como «amanhã, tenha cuidado com os aparelhos eléctricos, devido às fortes tempestades que se vão fazer sentir, e tenha o protector solar sempre à mão»; ou ainda, por volta de uma quinta ou sexta-feira: «aproveite o fim-de-semana de sol e calor que se avizinha para antecipar o Verão com uma escapadela até à praia, mas não se esqueça do guarda-chuva».

E agora, se não se importam, vou admirar o arco-íris que está lá fora antes que venha outro.

Texto originalmente publicado n'O Coiso e a Cena, no dia 12 de Junho de 2008, às 10:07.

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• 08:36

Mundo Cão ao vivo no Theatro Circo — cartaz
Mais um concerto, mais um ajuste de contas com o passado. 2009 tem sido profícuo neste aspecto e, se tudo correr bem, assim continuará até ao seu término (mais sobre isto em posts vindouros). Anteontem à noite, chegou a vez de assistir a um concerto em nome próprio, e em todo o seu esplendor, dos Mundo Cão. Porquê a história do ajuste de contas? Porque, apesar de ter acabado por vê-los, no mesmo ano, no inesquecível 13.º Super Bock Super Rock e na Recepção ao Caloiro do ISAVE, falhei a sua apresentação no pequeno auditório do Theatro Circo (sala que continuo sem conhecer), no dia 28 de Abril de 2007. Pouco mais de dois anos depois, foi a sala principal desse mítico espaço da sua Braga natal, que eu não visitava por ocasião de um espectáculo musical há já muito tempo, que encheu para os receber.


O concerto arrancou com A Geração da Matilha, composição que também dá início ao álbum com o mesmo nome lançado há menos de dois meses e que, desde então, tem tido supremacia de rotação no meu iTunes. Após tantas audições, sinto-me tentado a dizer que gosto ainda mais de A Geração da Matilha do que de Mundo Cão, o disco de estreia, de 2007; porém, a diferença entre ambos não é assim tão notória: este segundo tomo poderá, eventualmente, soar mais maduro, mas há que dizer que, para um registo de estreia, Mundo Cão é uma obra extremamente coesa e sólida. Talvez eu seja o único palerma a estabelecer tal relação, mas a verdade é que começo a ver este virtuoso grupo como os Ornatos Violeta desta década. Em comum, verificam-se as referências caninas (neste caso, mais acentuadas) e, curiosamente, uma diferença de exactamente dez anos entre os primeiros e segundos álbuns das duas bandas, mas, para esta minha comparação, o que tenho em maior consideração é o simples facto de, tal como o colectivo liderado por Manel Cruz, os Mundo Cão nos terem presenteado com dois conjuntos de originais que passariam muito bem por colectâneas de singles. Já Mundo Cão o conseguira, e este A Geração da Matilha repete-o: A Geração da Matilha, Ordena Que Te Ame, Amantes sem Sal, Como um Cão, Tu não És Princesa, Hoje e Sempre Ámen e Cidade do Pecado são, todas, pérolas rock altamente viciantes. (Aproveito para referir que, neste post, cometi uma imprecisão: antes da Ordena Que Te Ame, já pudéramos ouvir Hoje e Sempre Ámen, lançada em Novembro de 2008 como teaser para o que viria mais tarde.)

Espero que a banda bracarense tenha uma carreira mais longa do que a da banda portuense, claro, mas, por enquanto, a principal diferença entre ambas reside, em minha opinião, em quem escreve as letras das respectivas canções. Ao contrário do que sucedia nos saudosos Ornatos, no caso dos Mundo Cão, trata-se de alguém que não pertence aos cinco elementos que gravam e que pisam os palcos, mas que, no entanto, compete taco-a-taco com Cruz no pódio dos melhores letristas portugueses de sempre: Adolfo Luxúria Canibal. A peça central dos excelsos Mão Morta — será este ano que os vejo ao vivo? — teve, contudo, de repartir os créditos de autoria das letras deste segundo disco com valter hugo mãe, após este ter assinado Dá-me Amor ou Ódio, balada arrebatadora em disco e absolutamente indescritível na sua transposição ao vivo (elogio!). Além do letrista, os Mundo Cão partilham com os Mão Morta o guitarrista Vasco Vaz e ainda o fundador Miguel Pedro, baterista de serviço de variadíssimos projectos, entre os quais Os Seis Graus de Separação. É precisamente a este grupo do ex-Mão Morta Paulo Trindade que pertence Ana do Monte, canção que os Mundo Cão adaptaram, numa versão infinitamente superior à original, para fechar A Geração da Matilha e encerrar igualmente o concerto de sábado. Como não poderia deixar de ser, toda esta família alargada fez questão de marcar presença no Theatro Circo para assistir à breve prestação de cerca de uma hora e quinze minutos daquela que já pode ser considerada uma das melhores bandas portuguesas da actualidade. Breve, mas — sublinhe-se — intensa.

Poder-se-á concluir, portanto, que se tratou de um concerto sem mácula? Não, de todo. Apesar de a sua curta duração ter chegado para cobrir de forma bastante equilibrada a maior parte do reportório dos Mundo Cão (salvo erro, apenas ficaram de fora do alinhamento três canções de cada álbum e ainda foi tocado um tema — o terceiro do concerto — que eu não fui capaz de reconhecer), há alguns aspectos negativos a apontar. Desde logo, notou-se alguma falta de entrosamento entre os cinco músicos — derivado, provavelmente, de algum défice de rodagem que o tempo colmatará — e, embora não tenham sido graves, diversas falhas técnicas que pautaram todo o concerto. Registaram-se também erros da própria banda, os quais eram, no entanto, prontamente e devidamente desculpados por um bem-humorado e, com o decorrer do concerto, cada vez mais comunicativo Pedro Laginha, que virava sagazmente esses momentos a seu favor (sendo que, na maior parte dos casos, fora o próprio Laginha o causador desses momentos). Também o jogo de luzes merece uma pequena referência, sendo que o que me ocorre dizer é que foi estranho — ou, na melhor das hipóteses, "original" e "arriscado" (admito não ter ficado fã do resultado). A somar a isto, e num registo mais pessoal, lamento a não inclusão da minha canção favorita no alinhamento: Ai a Vida Meu Amor, deste segundo álbum, é uma composição reminiscente do rock nacional dos anos 80 que deve muito da sua sonoridade aos Heróis do Mar ou aos Sétima Legião. Tenho para mim que o culpado por isto é o guitarrista Budda, homem dos blues que, segundo Pedro Laginha e Miguel Pedro, em entrevista às Manhãs da 3 (ou ao Portugália; confesso que não sei precisar em que programas da Antena 3 eles contaram esta história, dado ter ouvido tudo o que resultou da sua passagem pela estação), ficou chocado quando tomou conhecimento de que iria ter de tocar um tema com tão particular inspiração. A verdade é que o raio da canção está mesmo bem esgalhada e destaca-se precisamente por ser tão diferente do registo das demais, tendo conseguido ser uma das faixas mais rodadas na promoção que a já referida Antena 3 fez ao disco aquando do seu lançamento. (Aliás, quando ouvi o álbum pela primeira vez, dei por mim a já saber trautear um vasto leque das suas canções, graças a tão louvável divulgação.) Já que falei no Budda, não posso terminar este post sem referir que, apesar de já o ter visto vezes sem conta a destilar o seu talento ao vivo, é simplesmente impossível eu deixar de continuar a ficar de boca aberta perante o seu discreto show-off.

Infelizmente, não possuo registos fotográficos (nem vídeo) deste concerto. Como diria um grande professor meu, «uma coisa é o que a gente quer; outra, os tristes remedeios que este mundo cão nos dá». Ora.

Complemento essencial: http://www.myspace.com/mundocao

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Domingo, 7 de Junho de 2009 • 15:07

Eu sei que hoje não se pode fazer qualquer tipo de campanha, mas não é com esse intuito que venho fazer esta adenda ao meu post anterior. O que se passa é que me esqueci de vos rogar o seguinte, para o caso de acederem ao meu apelo ao voto: não votem no Movimento Mérito e Sociedade. Há outros partidos com designações igualmente parvas como opção, se for esse o vosso critério, além de que o POUS não fica a dever muito ao MMS no que diz respeito à espectacularidade da sigla. Quem me conhece saberá certamente que separar o sujeito do predicado por uma vírgula, quando estes ocorrem consecutivamente numa frase, é coisinha para me tirar do sério, e, se até sou capaz de "perdoar" tal erro em orações mais complexas, o mesmo num soundbyte tão simples como o do outdoor do MMS com que me deparei aqui perto da Universidade do Minho — «Abstenção, não é solução» [sic] — é de bradar aos céus. No entanto, confesso que, quando tomei conhecimento de que este partido foi fundado por um professor universitário, o meu espanto cessou.

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• 13:51

Eleições Europeias 2009

Eu vou agora ali à Junta de Freguesia de Gualtar deixar o meu voto. Será a primeira vez que enfrentarei as urnas, as mesas, a cabine (infelizmente, um mal-entendido impediu-me de me recensear a tempo de participar no referendo sobre a interrupção voluntária da gravidez, apesar de o mesmo se ter dado na véspera do meu 19.º aniversário). Curiosamente, tal acontecerá neste que, provavelmente, é o meu último mês enquanto habitante desta bela freguesia do concelho de Braga — onde tive de me recensear por questões burocráticas relacionadas com a minha residência fiscal. Enfim, o que eu quero dizer é que eu vou, por fim, exercer este meu direito/dever cívico, e por este meio apelo a todos os meus leitores maiores de idade para que façam o mesmo, independentemente das vossas convicções. Votem, caramba!

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Domingo, 31 de Maio de 2009 • 19:43

In Repair @ Expo-Profissional (2009.05.30)

Hoje à noite, completar-se-á um ano desde que os In Repair se estrearam ao vivo, num bar em Ponte da Barca. As actuações da banda de Armanda Gomes (voz e guitarra), Eduardo Bouças (voz e guitarra), Fernando Silva (bateria) e Miguel Fernandes (baixo) eram, na altura, dedicadas quase em exclusivo à execução de covers na área dos blues e do pop/rock. Contudo, os concertos multiplicaram-se ao longo de 2008, e, com o tempo, foram surgindo mais canções originais. Compostas essencialmente pelo Eduardo, as primeiras eram (e são) cantadas em inglês, sendo que a estreia na língua materna se deu há poucas semanas, com Pôr-do-sol, tema que tem sido fortemente divulgado através das várias redes sociais (ver links no blogue oficial da banda).

Esta nova era arrancou oficialmente ontem, com a primeira apresentação ao vivo dos In Repair em 2009, inserida no programa da edição deste ano da Expo-Profissional. Eu estive lá, a tirar fotografias e a filmar todo o concerto (o Eduardo disponibilizará alguns excertos em breve), e tenho a dizer que foi muito bom voltar a vê-los. Ainda por cima, creio que já fora no Verão a última vez que pudera assistir a um com a banda completa (eles também se dão a conhecer numa versão acústica, com o grupo reduzido à Armanda e ao Eduardo). Além da Pôr-do-sol, a fechar, os In Repair serviram-nos as suas The Other Part, Heartbeat e Colors, a par com algumas versões imprescindíveis — como é o caso de In Repair, de John Mayer, que está na origem do nome do quarteto e foi tocada apenas com voz e guitarra. Foi, aliás, nestes mesmos moldes que foi apresentada Free Fallin' (original de Tom Petty), na qual — tenho de o dizer — a Armanda me conseguiu surpreender uma vez mais com um facto que já era do meu conhecimento: mas que vozeirão que tem a miúda!

Em abono da verdade, diga-se que toda a banda — que, ontem, na ausência do Fernando, contou com o Miguel na bateria (o seu instrumento de eleição) e com Ricardo Rocha, parceiro do Miguel nos Sinal, onde curiosamente é guitarrista, no baixo — se mostrou em grande forma, apesar de todos estes meses fora dos palcos, dedicados à composição de novos temas. (O próprio Eduardo confessa, no seu blogue, sentir-se bastante confortável com a prestação de ontem, o que é desde logo significativo, como quem o conhece bem saberá.) Ao talento de cada um na execução de um alinhamento caracterizado por um extremo bom gosto, já é notória também a junção de algum cuidado acrescido na componente da comunicação com o público (o qual se encontrava em número lamentavelmente reduzido, no Centro de Formação e Exposições de Arcos de Valdevez), ficando a faltar uma continuidade entre canções mais fluída. Revelo o meu veredicto final sem grandes hesitações: se estes senhores e senhora não alcançarem o sucesso que merecem e lhes desejo, não será certamente por falta de qualidade.

In Repair @ Expo-Profissional (2009.05.30)In Repair @ Expo-Profissional (2009.05.30)In Repair @ Expo-Profissional (2009.05.30)In Repair @ Expo-Profissional (2009.05.30)In Repair @ Expo-Profissional (2009.05.30)
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Complemento essencial: http://www.inrepair.com.pt/

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Sábado, 30 de Maio de 2009 • 16:39

"Ghosts I-IV", Nine Inch Nails

Actualizei o meu conceito de banda sonora ideal para uma noite de sono. Na altura em que foram disponibilizadas para download, ouvi as quatro partes de Ghosts, o épico instrumental da lavra de Trent Reznor que marcou o início da era de edições independentes dos Nine Inch Nails, mas confesso que não "perdi" muito mais tempo a explorar essa esplêndida obra. Recentemente adicionada à minha playlist do iTunes juntamente com grande parte da discografia da banda norte-americana (no âmbito do meu programa de injecções auditivas pré-festivaleiras), resolvi pô-la a tocar ontem à noite, enquanto me refastelava na cama, preparado para um merecido descanso. Que sensação indescritível. Curiosamente, um dos meus favoritos pessoais a este nível até agora era precisamente o álbum que me deu a conhecer os Nine Inch Nails, With Teeth, que, no Verão de 2005, debitado em loop no Winamp até o programa encravar num acorde algures durante a madrugada, assombrou muitas das noites quentes em que tive a casa só para mim.

Complemento essencial: http://ghosts.nin.com/

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• 08:13

Portanto, o que se passou foi o seguinte: eram cinco menos um quarto da madrugada; eu estava semienfiado na cama, vestido, a ter um belo sonho; o portátil debitava, de forma imparável, Nine Inch Nails; e o meu pai fez o obséquio de me acordar. Antes de prosseguir com esta prometedora história, tenho de referir duas coisas: com dedicatória para todos aqueles que me insultaram há uns tempos por eu me levantar cedo a um sábado, hoje subi a parada em duas horas; porém, fui acordado a estas lindas horas porque tinha de levar os meus pais ao aeroporto, dado que eles e os meus tios vão lá para os lados dos vikings fazer um belo cruzeiro do qual eu e os meus primos fomos excluídos, embora de início tenha sido apalavrado o contrário (sim, os meus queridos progenitores espetam a faca e depois ainda a reviram). Apesar de a viagem até Vigo ter corrido impecavelmente (até a playlist da Rádio Comercial me surpreendeu pela positiva), apercebi-me de alguns aspectos dignos de destaque nesse percurso. Desde logo, o aeroporto, do qual já não tinha grandes recordações, além de parecer profundamente rústico, fica no local aparentemente mais desapropriado para uma infra-estrutura deste género: mesmo no seio de uma zona montanhosa. Além disso, constatei que, quando nos queixamos da qualidade da nossa rede rodoviária, fazemo-lo de barriga cheia — regra geral, pelo que vou conhecendo, as estradas portuguesas conseguem ser bem melhores e estão muito mais bem sinalizadas do que as espanholas.

Claro que esta última parte vai soar apenas a desculpa esfarrapada para o que eu vou contar de seguida. Tendo em conta que o nó de acesso à via rápida que conduz à bela cidade galega aonde me dirigia foi remodelado desde a última vez que lá fora, o inevitável aconteceu: no regresso, enganei-me na saída. Depois de umas voltas numas rotundas e nos arrabaldes de uma pequena povoação, resolvi voltar à via rápida, no mesmo sentido em que a estava a percorrer, para sair mais à frente. Vou resumir a sequência de eventos que se seguiu: encontro-me já noutra saída da via rápida; reparo numa placa que, a rir-se na minha cara, me indica que a saída que eu queria era, na realidade, a seguinte; dou por mim noutra via rápida que, na realidade, é uma auto-estrada; avisto as portagens uns cem metros à minha frente, mas saídas, nesse pequeno troço que me separava delas, nem vê-las. Agora, passemos ao resumo da minha situação escassos momentos depois: €1,25 para pagar; carteira com apenas oito cêntimos (mais uma moeda de 50 no carro, normalmente usada em carrinhos dos supermercados); cartão de débito que, pelos vistos, não funciona do lado de lá da fronteira (e cujo código nem sequer sei ao certo, dado ser muito recente e ainda não o ter usado); telemóvel sem roaming, apanhando rede portuguesa apenas aos bochechos; os meus pais prestes a entrar num avião, a vários quilómetros dali; e eu, de calções e t-shirt, no meio de nenhures, a braços com uma galega que me dizia para me desenvencilhar e ir a pé, para trás, pela auto-estrada, recusando-se a ficar com a minha identificação para eu pagar depois, dado isso, alegadamente, já não ser permitido (a verdade é que me mostrou um bilhete de identidade de uma cidadã portuguesa que não regressou para liquidar a sua dívida). Relembro: ainda não eram seis da manhã.

Algo incrível é a razão para eu me encontrar desprovido de numerário. Senão, veja-se: ontem, na Fnac, fiz uma compra que me haviam solicitado e que deveria ter sido paga com cheques-oferta, mas que, por me ter esquecido deles e porque não estava a acertar com o raio do código do cartão de débito, foi paga com os últimos dez euros que tinha carteira; depois disso, recusei dez euros de uma pessoa que não tinha dinheiro trocado para me dar apenas cinco; ainda antes, um amigo meu esquecera-se de me pagar dez euros que me devia; por fim, esqueci-me eu de pedir aos meus pais vinte euros que tinham de me dar para uma despesa que se avizinha. Sempre disse que as forças que comandam o Universo sentem um gozo particular em meter-se comigo. Eis a prova.

Voltando à auto-estrada... Foi uma alegre hora da minha vida que ali perdi, verdade seja dita. O impasse só não durou muito mais tempo porque consegui fazer um insistente choradinho que acabou por amolecer o coração de pedra da portageira, que aceitou os meus 58 cêntimos e pagou do seu bolso os restantes 67. Abençoada seja. Lá vim pela auto-estrada, percorrendo uma distância muito superior à necessária, e, agora, se não se importam, vou regressar, vestido, ao meu sono, pois logo à noite há um concerto de In Repair no Centro de Exposições de Arcos de Valdevez para ver, ouvir, fotografar e filmar.

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Quinta-feira, 28 de Maio de 2009 • 23:28

Herman Enciclopédia Volume 1 — Lançamento 25 de Junho

Para mim, esta foi a notícia do dia. Aliás: foi a notícia da semana, do mês, possivelmente do ano. Eu sei que nem sequer é uma notícia de hoje, mas foi apenas esta manhã que, através do Há Vida em Markl, eu tomei conhecimento da data em que se dará o tão aguardado lançamento em DVD do Herman Enciclopédia (série que elogiei muito recentemente por aqui, no meu post sobre Os Contemporâneos). Será já no próximo dia 25 de Junho, e eu confesso que mal posso esperar, embora só entre de férias uns dias depois.

O meu anelo por este lançamento é tal que não só conto de adquirir a bela caixa encarnada mal ele se dê — o que, por si só, já é raro em mim, dado que tenho tendência a procrastinar a compra de DVDs, CDs e afins até muito após a sua chegada aos escaparates —, como já pus o visionamento dos cinco discos no topo da minha lista de prioridades para este Verão. Afinal, o Herman Enciclopédia foi a indiscutível referência humorística da minha infância (felizmente, a minha entrada na adolescência fez-se acompanhar pelo nascimento da SIC Radical), e há muitos anos que eu anseio por rever todos os episódios de fio a pavio — se é que alguma vez os vi todos. Por enquanto, será só a primeira temporada, mas já servirá para avaliar o quão fortes são as minhas memórias da série e, sobretudo, para perceber até que nível é que eu compreendia realmente os sketches do alto dos meus nove anos de idade.

Faltam 28 dias...

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• 16:13

Suplico por este meio a alguma alminha caridosa que diga, por favor, às meninas do telemarketing da Publishing que não há necessidade nenhuma de levarem a peito o facto de eu não pretender assinar nem a Blitz nem a FHM, por muito apetitosas que sejam as promoções que me põem à disposição. Não é nada pessoal, a sério.

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• 12:36

Acreditem: não quero nada com a Ana Malhoa. Serve este post apenas para despachar o comentário mensal à capa da Playboy portuguesa, ainda antes de ela ter sido revelada. Portanto, parece que ninguém verá a senhora do Buereré e do Super Buereré "despida de preconceitos" por estes lados.

Complemento essencial: http://www.skyzophrenia.com/2009/05/o-facilitado-numero-2.html

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Terça-feira, 26 de Maio de 2009 • 00:34

Aproveitando que versei finalmente sobre televisão, continuo na mesma onda e aqui fica o post que evita que o Skyzophrenia fique célebre por ser o único blogue a não fazer referência ao incidente ocorrido na passada sexta-feira, na TVI.

Em casa dos meus pais, existe o hábito de ter o televisor ligado durante as refeições, o que, julgo eu, terá algo a ver com o facto de não haver os hábitos de ouvir rádio ou de ler jornais. Tendo em conta que a minha prima, Sofia Vieira da Silva, é jornalista da TVI, a escolha desse canal para acompanhar as notícias acaba por ser natural. Portanto, um dos meus maiores dramas actuais é o facto de, por norma, sair de Braga à sexta-feira à tarde, sendo recebido, ao jantar, com o estonteante Jornal Nacional — 6ª feira, apresentado por Manuela Moura Guedes.

Na passada sexta, escapei-me da cozinha precisamente quando a pivô apresentava, com o carinho que lhe é característico, o convidado da semana. Tratava-se do infame bastonário da Ordem dos Advogados, Marinho Pinto, o qual era epicamente insultado antes sequer de ter a oportunidade de abrir a boca. Conhecendo as duas peças, eu deveria ter previsto o rumo que aquela entrevista iria tomar, porém, lamentavelmente, apenas voltei a sintonizar a emissão a tempo de assistir aos seus últimos segundos, após a minha avó me alertar, do fundo das escadas, para a peixeirada que se estava a dar em directo. Claro que, pouco tempo depois, o essencial estava no YouTube:


Na edição do Governo Sombra do passado dia 15, Pedro Mexia comparava Marinho Pinto a Hugo Chávez, Silvio Berlusconi e Alberto João Jardim, ao passo que João Miguel Tavares refinava a sua caracterização da seguinte forma: «O que eu acho espantoso no Marinho Pinto é que ele está sempre a falar, e aquilo é uma mistura de coisas, porque ele [...] tanto diz palermices totais como diz coisas com sentido. [...] Faz-me lembrar... Lembram-se [daqueles] concursos de cultura geral em que diziam "agora diga o nome de um país que comece pela letra R"? E o concorrente começava e dizia Roménia, Rússia e depois, no meio, dizia Roterdão. Uma coisa assim; não faz sentido nenhum. [...] Ele precisava era de ter um júri atrás dele, tipo a levantar placas: "Essa está certa!"; "Essa está errada!"» Pois. É unânime que Marinho Pinto é um desbocado — tanto no sentido de falar muito como no de fazer algumas afirmações que, pelo menos na sua posição, deveria ter o cuidado de reprimir. No entanto, não é por isso que, fora certas e determinadas propostas que levam, compreensivelmente, qualquer advogado à loucura, as suas declarações deixam de ser, de quando em vez, bastante acertadas. Muitas delas, aliás, não são mais do que aquilo que toda a gente sabe ou pensa, mas mais ninguém diz.

Foi precisamente a isto que se assistiu no Jornal Nacional, há três dias. Em vez de se limitar a amparar os golpes desferidos por Manuela Moura Guedes, Marinho Pinto, fazendo jus à sua fama, resolveu contra-atacar. O resultado foi uma pivô perdida e descontrolada, a ouvir aquilo que meio país acha. De facto, numa estação que, apesar de todo o sensacionalismo que lhe é habitualmente apontado, produz bom jornalismo de investigação (de que são exemplo inúmeras reportagens laureadas) e tem, na sua relativamente limitada estrutura, profissionais de elevada reputação, Manuela Moura Guedes é uma mancha lastimável. Sinceramente, tenho pena que o triste espectáculo continue, sendo certo que, na próxima sexta-feira, às oito da noite, vamos ter novo episódio deste programa de entretenimento. No meio disto tudo, ficou a ganhar José Sócrates, que terá agora alguém com quem repartir as honras de antena.

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